Hamilton confirma título e se transforma em uma das maiores lendas da F1

Lewis Hamilton cravou no último domingo mais uma marca que o coloca próximo a ser o maior piloto da história da Fórmula 1. Com o segundo lugar no Grande Prêmio dos Estados Unidos, o inglês confirmou aquilo que era inevitável há muito tempo nesta temporada, o sexto título mundial de pilotos, aproximando-se cada vez mais dos números de Michael Schumacher.

Mas antes de chegar aos resultados do alemão, é importante ressaltar que Hamilton já se colocou entre os maiores. Durante décadas os pilotos da categoria tinham no horizonte os números de Juan Manuel Fangio, o argentino genial que nos primórdios da Fórmula 1 atravessou o Atlântico para ganhar cinco títulos mundiais e cravar um número que parecia inalcançável. Não foram poucos os gênios das pistas que tentaram alcançar o feito, mas o até 2002 o mais próximo de alcançar a marca foi o francês Alain Prost, que chegou aos quatro títulos. Em 2002 Schumacher empata com o argentino e dois anos depois ganharia o surpreendente sétimo título mundial, marca que para todos que acompanham F1 só poderia ser alcançada muitas décadas depois, tal qual foi com Fangio.

Poucos poderiam prever que aquele jovem piloto de 22 anos que estreava na McLaren em 2007 seria a lenda que hoje assistimos desfilar nas pistas. Em seu primeiro ano de categoria, Hamilton encarou um desafio gigante, ter como companheiro de equipe o então bicampeão Fernando Alonso, piloto conhecido pelo talento e pela personalidade nada agregadora. Hamilton não se sentiu intimidado, e foi para cima do espanhol, disputando o título daquele ano, o qual deixou escapar por um erro crucial no GP da China, o levou o título para a Ferrari de Kimi Raikonen. No ano seguinte, já sem Alonso no cockpit do lado, Hamilton teve um campeonato apertado e levantou o título após uma apoteótica ultrapassagem na última curva do GP do Brasil, deixando Felipe Massa, na época piloto da Ferrari e vencedor daquela corrida, com a sensação de pirulito roubado.

Os anos seguintes foram menos gloriosos, com a McLaren sem disputar diretamente o título, Hamilton viu a Brawn surpreender o mundo em 2009, e nos anos seguintes foi a vez do domínio da Red Bull, com os quatro títulos consecutivos de Sebastian Vettel. Mesmo sem disputar os títulos, Hamilton seguindo ganhando corridas, o que lhe garantiu uma marca até hoje invejável, é o único piloto da história a vencer corridas em todas as temporadas que participou. Mas a falta de títulos levou o inglês a tomar uma atitude inesperada na época.

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Talento precoce, o inglês começou a mostrar sua habilidade nos tempos de kart, quando foi descoberto por Ron Dennis Foto: Divulgação

A Guinada na Carreira

No final de 2012 Hamilton fez o anúncio que surpreendeu os fãs da Fórmula 1, iria trocar a tradicional e multicampeã McLaren pela Mercedes, equipe que havia voltado ao circuito em 2010, após comprar de Ross Brawn a equipe campeã do ano anterior. Mesmo como Schumacher na equipe, os primeiros quatro anos da equipe alemã passaram longe da briga pelo título, terminando o campeonato de construtores duas vezes em quarto lugar, e em 2012 amargando o quinto lugar, com apenas uma vitória nas três temporadas disputadas. Tudo isso fazia parecer a troca de casa uma escolha ilógica e quase suicida para a carreira de Hamilton. Mas não demorou muito para os resultados aparecerem na equipe, que em 2013 terminou o campeonato em segundo lugar, com uma vitória do novo piloto no GP da Hungria, prenúncio do sucesso que viria nos anos seguintes.

Casa nova e praticamente um novo piloto, Hamilton se mostrou muito mais maduro sem perder a agressividade e velocidade que o caracterizaram durante toda a carreira. Mas dois fatores podem ser considerados fundamentais nessa mudança, aliás, duas presenças. No corpo técnico Niki Lauda, o tricampeão mundial que avalizou a chegada de Hamilton na Mercedes. Lauda se tornou um mentor do inglês, que aos poucos foi aliando o estilo agressivo, inspirado em seu ídolo Ayrton Senna, com um estilo mais cerebral que garantia títulos.

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Primeiro título veio na McLaren em 2008, em sua segunda temporada na categoria. Naquele momento, Hamilton era o mais jovem piloto a ser campeão do mundo. Foto: Divulgação

Mas outra figura foi importantíssima para o crescimento de Hamilton, seu companheiro de equipe e rival desde os tempos do kart, Nico Rosberg. O inglês sempre se mostrou um piloto mais talentoso e rápido que o alemão, porém a Mercedes não impediu que Nico disputasse as posições e título contra o companheiro de equipe, contrariando a política adotada por anos na Ferrari. Com disputa interna aberta os dois foram aumentando a pressão conforme a superioridade da Mercedes se consolidava. Nos dois primeiros anos deu Hamilton, com Nico ganhando o título em 2016 e anunciando uma surpreendente aposentadoria após seu único título na categoria, empatando com o pai Keke.

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Toto Wolff decidiu dar liberdade para Hamilton ser o que queria fora das pistas, o que deu a ele o que faltava para se transformar na lenda que é hoje. Foto: Divulgação

Um novo estilo de piloto

Hamilton é o primeiro, e até o momento o único, piloto negro da história da F1, fato que ele mesmo já falou algumas vezes. Durante toda sua carreira não foram poucos os episódios de racismo vividos por ele. O próprio piloto já disse que durante os anos no kart sempre teve fazer muito mais do que os demais companheiros de pista.

Além de ser o primeiro negro da categoria, e encher os boxes da Fórmula 1 com pessoas da mesma cor, algo nunca visto antes, Hamilton também destoa dos grandes campeões. Ao contrário de Senna, e Schumacher, para ficarmos em dois exemplos, Hamilton não é um piloto obcecado que vive o automobilismo 24h por dia. Rodeado de celebridades de outras áreas, Hamilton está muito mais próximo dos grandes nomes do basquete e do futebol, com intensa vida social, do que se convencionou esperar de um piloto.

Essa mudança pode ser vista no vestuário do inglês, que foge e muito da tradicional camisa pólo e macacões de corrida. Com tudo isso, Hamilton implementou um novo conceito de piloto, alguém que desliga das corridas em vários momentos, e aproveita o que a vida pode lhe oferecer. Além disso, nos últimos anos ele também se mostra bastante preocupado com questões ambientais, saindo cada vez mais do estereótipo padrão de pilotos.

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A troca ousada da McLaren pela Mercedes colocou Hamilton e a equipe em um novo patamar. Os alemães conquistaram a maior sequência de títulos de construtores, e o piloto caminha para quebrar todos os recordes individuais da categoria. Foto: Divulgação

Todo esse estilo diferente causou diversos choques com seu antigo chefe, Ron Dennis, o ex todo poderoso da McLaren que abraçou Hamilton ainda nos tempos de kart. Acostumado com pilotos mais tradicionais, Dennis sempre quis controlar a vida do piloto fora das pistas. Mas na Mercedes a história é bem diferente, já que Toto Wolff vê com bons olhos que seu piloto tenha uma vida fora das pistas. Wolff entendeu que é justamente essa capacidade de desligar que torna Hamilton o piloto que é.

No início da carreira, Hamilton dizia não esperar muito mais do que um título, se mostrava pouco afeito a perseguição doentia por recordes e títulos. Mesmo assim, chega aos 34 anos a um título de igualar Schumacher, e a nove vitórias de se tornar o maior vencedor de Grandes Prêmios da história da categoria. Em ótima forma física, tudo indica que Hamilton pode não apenas igualar os números do alemão, mas superá-los.

McLaren apresentará novo modelo esportivo no domingo

A McLaren apresentará seu novo modelo GT ‘by MSO’ neste domingo, dia 18, no ‘Concept Car Lawn’, tradicional desfile e exposição de carros, parte do concurso Pebble Beach Concours d’Elegance, que acontece na Califórnia, EUA.

O carro da montadora inglesa é equipado com um motor V8 6 litros turbo, com 620 cavalos de potência, indo de 0-100 km/h em 3,1 segundos. Mas uma das grandes novidades do GT ‘bay MSO’ em relação ao seu antecessor está bem visível, a pintura. 

Usando a cor denominada MSO Defined Flux Silver, um contraste com a MSO Bespoke Satin Graphite, que está presente nas laterais, dianteiras, nos espelhos retrovisores, no para-choque traseiro e nos difusores.

Raríssimo McLaren Le Mans vai a leilão

Denominado como LM-Specification, o carro é um superesportivo totalmente analógico, e sua produção foi limitada a 64 exemplares. Com este modelo a equipe inglesa venceu as 24 horas de Le Mans de 1994. Cinco dos carros utilizados na corrida lendária foram colocados à disposição do público em versões LM. Porém, a McLaren queria mais, e utilizou um pacote aerodinâmico suplementar para melhor a capacidade e velocidade de duas dessas unidades. E é justamente uma dessas raridades que vai a leilão nos próximos dias. 

Os organizadores do leilão esperam arrecadar entre U$21 e U$ 23 milhões com a venda do carro. A montadora afirma que esta é uma das versões mais eficazes do ponto de vista aerodinâmico, superando inclusive o F1 GTR, vencedor de Le Mans em 1995. O carro foi entregue novo no Japão em 1994 e convertido para a versão LM-Specification entre 200 e 2001, em um processo de duas fases. Ele é pintado de prata com interior feito de pele em creme . 

Organizadores do leilão esperam vender o clássico da McLaren por até US$ b23 milhões Foto: Divulgação

O atual dono do carro é Andrew Bagnall, que comprou o veículo em 2007. Ele é um ex-piloto neozelandês entusiasta de automóveis. Tanto que utilizou o carro em diversos eventos e rodou 21,5 mil quilômetros. Mesmo com a rodagem, o carro apresenta uma ótima conservação e agora aguarda um novo dono.

Galeria: Veja todos os carros da temporada 2019 da F1

Confira os detalhes dos carros para a temporada 2019 do campeonato mundial de Fórmula 1:

Alfa Romeo

Ferrari

Haas

McLaren

Mercedes

Racing Point

Red Bull

Renault

Toro Rosso

Williams

Retrospectiva F1 2018: Parte 2

Para sagrar-se campeão da temporada 2018 Lewis Hamilton precisou conquistar 11 vitórias. Em seu currículo Hamilton acumula uma marca impressionante: Tem pelo menos uma vitória em cada uma das suas 12 temporadas de F1. Das suas 73 vitórias conquistadas até a temporada de 2018, em 47 ele também foi o pole position.
A Mercedes venceu 11 GPs também na temporada, todos sendo conduzida por Hamilton. Bottas ficou sem qualquer vitória, com marca inédita: tornou-se no primeiro piloto da Mercedes a terminar a temporada sem vitórias, desde Michael Schumacher em 2012. A Mercedes possui agora 87 vitórias no total, ultrapassando a marca de 81 da Lotus, ficando em 4º lugar, atrás de Ferrari (235), McLaren (182) e Williams (114). A Mercedes obteve 4 dobradinhas em 2018, Espanha, Alemanha, Rússia e Japão, alcançando a marca de 44 na história. Faltam apenas 3 para igualar a McLaren e as suas 47 dobradinhas. A Ferrari lidera com 83. Já os motores Mercedes obtiveram 173 vitórias ao longo da história. Tornou-se a 3ª marca de motores mais vitoriosa na F1. Passou em 2018 a Renault (168). A sua frente estão a Ford Cosworth (176) e a Ferrari com 236. Em Abu Dhabi, Hamilton registou a 1.000ª vitória de um piloto no mundial. De fato foi o 997º GP. Acontece que nos primeiros anos, os carros eram compartilhados e, portanto, há 3 vitórias em 1951, 1956 e 1957 que foram repartidas por 2 pilotos.
Desde 2007 a dobradinha entre Lewis Hamilton e Sebastian Vettel monopolizou os GPs. Foram 125 vitórias em um total de 229 disputas. Os pilotos no grid com mais GPs disputados e sem vitória são Nico Hulkenberg com 156, Romain Grosjean (143) e Marcus Ericsson, que sai da F1 com 97 GPs e sem vitórias. Mark Webber precisou de 130 GPs para vencer a 1ª corrida, Barrichello 124, Jarno Trulli 117, Jenson Button 113, Nico Rosberg 111, Giancarlo Fisichella 110, Mika Hakkinen 96, Thierry Boutsen 95, Jean Alesi 91, Eddie Irvine 81.
A concentração de vitórias se percebe também nas escuderias. Dos últimos 118 GPs, apenas 3 escuderias venceram. Mercedes 77, Red Bull 28 e Ferrari 13. A última vitória fora destas 3 escuderias foi o GP Austrália de 2013 com Kimi Raikkonen, com a Lotus.