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Williams anuncia a saída de Claire do comando da equipe

A saída de Claire Williams acontecerá logo após o GP de Monza, colocando um fim a um dos ciclos familiares mais duradouros da Fórmula 1.
Resultados pífios, brigas familiares e péssimos negócios marcaram a trajetória de Claire no comando da equipe.

Aos poucos a família Williams vai se afastando da equipe de Fórmula 1 criada pelo patriarca Frank. O time inglês anunciou nesta quinta-feira que Claire deixará o time no qual trabalha desde 2002. A saída acontecerá logo após o Grande Prêmio de Monza, que acontece neste fim de semana. Claire ocupa o cargo de chefe de equipe desde 2013, e chegou a ter resultados positivos nos primeiros anos, como em 2014, quando alcançou cinco pódios e terminou o campeonato de construtores em terceiro lugar.

Em 2015 a Williams manteve o lugar no campeonato de construtores, embora com menos pódios do que no ano anterior. Mesmo assim, a equipe não sofria para encerrar as corridas na zona de pontuação com Valtteri Bottas e Felipe Massa, seus pilotos na época. Em 2016 porém começaram a vir os primeiros sinais de queda, com apenas um pódio durante todo ano a Williams terminou o campeonato de construtores em quinto lugar. 

Foi em 2017 que a WIlliams deu o sinal de alerta de que as coisas não iam nada bem nas contas do time de Glover. Com a saída de Bottas que rumou para a Mercedes a equipe optou por uma escolha pouco técnica para substituir o piloto que lhe trouxe os principais resultados no ano anterior. Ao invés de levar em conta apenas o critério técnico, a bolsa de dinheiro dispensada pelo milionário canadense Lawrence Stroll determinou que o seu filho Lance ingressasse na categoria.

Mesmo com um piloto novato e o veterano Felipe Massa em péssima fase, a Williams ainda conseguiu um pódio ao conquistar o terceiro lugar com Stroll no GP do Azerbaijão. Com outras boas corridas e ficando na zona de pontos a equipe terminou aquele ano em quinto lugar. Mas em 2018 a situação pulou de um resultado razoável para o completo desastre. Com a chegada do russo Sergey Sirotkin a equipe tinha agora dois pilotos medianos para fracos e um carro desajustado a equipe conquistou apenas sete pontos, terminando o campeonato de construtores na penúltima posição, na frente apenas da Force India.

O ano de 2019 foi um dos mais desastrosos para o time de Glover, a começar pelas trapalhadas na pré-temporada. A equipe trouxe de volta para o cockpit o polonês Robert Kubica, que após um acidente durante uma competição de rali ficou com a mão direita comprometida ficou nove anos longe de competições oficiais da categoria. Ainda assim, a esperança é que o reconhecido talento de Kubica para pilotar um Fórmula 1 superasse suas limitações físicas.

Claire foi alçada ao cargo de dirigente por escolha do pai Frank, mesmo sem experiência nas pistas.

Entretanto, não houve como superar planejamento que resultou em atrasos na pré-temporada, chegando ao cúmulo de a equipe não ter um carro para os primeiros dias de testes em Barcelona. Tudo isso foi resultado da aposta de Clair na vinda do engenheiro Paddy Lowe para desenvolver o carro. Lowe mostrou uma incompetência incomum, e nunca admitiu qualquer erro no projeto. Lowe culpou a dificuldade das novas peças, problemas externos e entrou em atrito com Claire, saindo da equipe antes mesmo do campeonato iniciar. Ele ainda chegou a ficar oficialmente na Williams mas sem ir às corridas até junho, quando foi afastado definitivamente da equipe.

No comunicado oficial que informou a saída de Claire a Williams buscou ressaltar as qualidades Claire, mas chama atenção o fato de que suas principais conquistas foram fora da pista. Por sua vez, a dirigente deixou claro que a decisão de sair da equipe fundada por seu pai foi uma consequência direta da crise financeira que levou a Williams a ser vendida para um grupo norte-americano. “É com o coração pesado que estou me afastando de meu papel na equipe. Eu esperava continuar minha gestão por muito tempo no futuro e preservar o legado da família Williams para a próxima geração. No entanto, nossa necessidade de encontrar investimentos externos no início deste ano devido a uma série de fatores, muitos dos quais estavam fora de nosso controle, resultou na venda da equipe para Dorilton Capital.”

Todas as decisões desastrosas a partir de 2013 tem a assinatura de Claire, mas é injusto colocar na conta dela todos os problemas vividos pela Williams. O patriarca Frank tem uma boa cota de responsabilidade. Turrão e pouco afeito a mudanças, Frank foi decisivo para que a Williams perdesse a parceria com a BMW em 2005. O criador da equipe não aceitou o acordo proposto pela montadora de parceria, mesmo tendo bons resultados nos anos anteriores correndo com motores BMW.

Em 1980 veio o primeiro título de pilotos com o australiano Alan Jones.

Mesmo a escolha de Claire para comandar o time pode ser colocada na conta de Frank, já que inicialmente ela atuou na assessoria de imprensa do time e tinha pouquíssimo contato com as pistas. Enquanto isso, Jonathan Williams, outro filho de Frank foi preterido mesmo já tendo experiências nas pistas como dono de uma equipe da F3. A rixa familiar foi tão problemática que Jonathan foi enviado para cuidar do patrimônio histórico da equipe. Em meio a essa trama Shakespeariana a equipe acumulava péssimos resultados, carros quase um segundo mais lentos que o restante do grid e dívidas se acumulando.

Sem Patrick Head, o dirigente que conseguia colocar racionalidade na impulsiva família Williams a situação só agravou, levando ao fim da equipe como conhecemos. Apesar do afastamento, o acordo de venda anunciado neste ano garante que ao menos o nome da equipe que ganhou sete títulos de de pilotos e 10 de construtores. Fica a história de uma das principais equipes da história da Fórmula 1, a última que mantinha o espírito de garagem dentro do grid e a esperança que os próximos anos sejam dignos do nome Williams.

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