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Testamos: Gol 2021 1.0 MT

Avaliamos a versão de entrada que oferece baixo custo de manutenção, bom valor de revenda e que apesar de simples em seu acabamento, não possui mais o espírito “pé de boi” que foi característica durante tantos anos.

Eu admito, escrevo esse texto com um certo tom de saudosismo e até um pouco de tristeza, dignos daqueles que sabem que podem ter visto pela última vez um grande amigo. Tenho uma relação afetiva com alguns carros e o Gol certamente é o veículo nacional que eu mais conheço. Tive a oportunidade de ser proprietário de três e conheço bem os prós e os contras deste que é de fato um mito da indústria automobilística nacional.

Portanto os 20 e poucos dias que tive a oportunidade de estar a bordo deste que pode ser da última versão de um carro que iniciou sua trajetória no longínquo ano de 1980, foi em tom de despedida.

O exemplar não foi cedido para testes pela montadora, mas sim como um substituto oferecido por uma locadora, que colocou o carro a minha disposição até que o meu carro do dia a dia estivesse pronto para uso.

Outras opções me foram oferecidas, mas sabendo que a unidade disponível era 0km e que o que se fala no mercado é de uma real possibilidade da Volkswagen substituir o modelo já no ano que vem, não tive dúvidas, escolhi o meu velho amigo e companheiro para a jornada.

Ele chegou para mim com apenas 23 km rodados já na configuração 2021, na sua versão de entrada, ou seja, motor 1.0 MPI de três cilindros de 12 válvulas – 75 cv com gasolina e 82 cv com etanol.

Um avanço incrível se pensarmos que em 1980 ele era pouco mais do que um Fusca quadrado, uma vez que na sua primeira versão ele utilizava o antiquado motor refrigerado a ar, com 1.300 cm³ e 47 cv e câmbio com quatro marchas. Mas lá se vão 40 anos, não é mesmo?

Ele hoje traz de série ar-condicionado, banco do motorista com ajuste de altura, direção hidráulica, suporte para celular com entrada USB, travamento elétrico das portas, vidros dianteiros com acionamento elétrico, limpador e lavador do vidro-traseiro. Muito mais do que qualquer outra versão de entrada das gerações anteriores, porém, menos do que concorrentes de peso, como o Fiat Argo ou Hyundai HB20.

Como opcional ele veio com o bom rádio Media Plus, com Bluetooth e entrada USB, que é bastante completo e oferece até a opção toca-cd, algo raríssimo de ser encontrado, mas que agrada pessoas como eu, com o hábito vintage (ou retrô) de ouvir música por mídias que foram suplantadas pela modernidade.

Admito, porém, que não usei o cd nenhuma vez, aproveitando-me das playlists disponíveis no celular que pareava automaticamente todas as vezes que o carro era ligado. A modernidade é prática quando funciona e o rádio apensar de simples, cumpre muito bem a sua função, sendo descomplicado e ao mesmo tempo bonito, perfeitamente integrado ao painel. Há uma opção multimídia, moderna e igualmente bem integrada ao veículo. O custo é de aproximadamente R$ 2.000.

Segundo dados da Volkswagen, o Gol 2021 1.0 acelera de 0 a 100 km/h em 13,1 segundos e consegue atingir velocidade máxima de 167 km/h. Se novamente exercitarmos a nossa capacidade de voltar no tempo vamos nos deparar com um verdadeiro foguete se ele fosse colocado ao lado de seu precursor, que era conhecido pela falta de fôlego, alcançando no máximo 124,67 km/h e um 0 a 100 km/h de intermináveis 30,27 segundos.

Mas esta não é uma matéria de comparação, mas sim de afirmação. O Gol 2021 de entrada é o agradável para os passageiros que a VW já fez. Muito bem construído ele oferece um nível de ruído que não é dos mais altos dentro da cabine. Motorista e passageiros ficam muito bem acolhidos pelos confortáveis bancos que seguram bem o corpo mesmo em curvas feitas em velocidades mais altas.

Os bancos traseiros contam com sistema Isofix de fixação de cadeirinhas para crianças. O passageiro do meio não contará com o cinto de três pontas, disponível apenas para quem estiver sentado nas pontas, porém o encosto de cabeça atende aos três lugares.

Mas é rodando que o Gol mostra com mais clareza as virtudes que o fizeram cumprir nada menos do que 40 anos de jornada. Com boas respostas ao acelerador, os 10,4 kgmf chegam aos 3 mil giros, o que permite uma boa tocada no trânsito das grandes cidades, graças ao baixo peso e o excelente câmbio MQ-200 de cinco marchas, que possui engates curtos, suaves e precisos, mantendo uma das principais características do modelo desde os anos 80.

O Gol sofre hoje com uma concorrência grande, vinda até mesmo da própria família, afinal de contas a diferença de preço com o Polo 1.0 é pequena. A exemplo do que acontece com seu irmão Voyage, ele dificilmente será a primeira opção de compra de alguém que busque um carro sem a pretensão de uso comercial (frotistas, motoristas de aplicativos, etc.), mas é certo que quem optar por ele terá em mãos um carro robusto, de baixo custo de manutenção, bom valor de revenda e que apesar de simples em seu acabamento, não possui mais o espírito “pé de boi” que foi característica durante tantos anos.

Consumo

Consumo na cidade – 8,8 km/l com álcool e 12,9 km/l com gasolina

Consumo estrada – 10,3 km/l com álcool e 14,5 km/l com gasolina

Ficha técnica

  • Altura: 1464;  
  • Direção:  Hidráulica;
  • Distância entre eixos: 2467;
  • Freios: disco ventilado;      
  • Largura: 1656;
  • Peso: 998;
  • Pneus: 185/65 R14;
  • Porta malas:285 litros;       
  • Tanque: 55 litros;
  • Torque máximo: 10,4 kgfm (A) 9,7 kgfm (G) a 3000 rpm.

Custos de manutenção

RevisãoCusto 
QuilometragemPreços 1.0 MPI 
10.000 kmR$ 494,94 
20.000 kmR$ 557,24 
30.000 kmR$ 484,94 
40.000 kmR$ 716,74 
50.000 kmR$ 484,94 
60.000 kmR$ 557,24
 

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